Capitalismo VS Socialismo; Teoria e Prática

10
Set 10

Uns pequenos comentários a esta crónica de Henrique Raposo:

 

1: O Henrique Raposo não anda de metro nem de autocarro; se andasse saberia que as pessoas lá não falam. Os transportes públicos são o submundo dos que não têm dinheiro para andar de carro e que, além disso, trabalham para ganhar a vida, onde a vida inclui bilhetes para transportes públicos.

 

2: É fantástico dizer que os administradores da PT vivem como se fossem em Manhattan. Fantástico porque verdade, e à custa de dinheiros públicos. Já os administradores de grupos financeiros e a nata da nossa sociedade que "trabalha" no topo da pirâmide do mundo dos privados, ostenta a riqueza como se vivesse no Dubai, mas o double standard já não lhe permite ser moralista o suficiente - embora este tipo seja o maior católico à face da terra - para os criticar. O pecado da carne realizado com dinheiros públicos é infinitamente maior do que o pecado da carne realizado com dinheiros privados. Está indeciso entre ser católico e liberal.

 

3: As pessoas são parvas por votar no PCP. Mas as sopeiras não são parvas, porque se vingam e votam no PCP. Esta complexidade toda dá pelo nome de Democracia, para este sujeito.

 

4: Está encontrado o Daniel Oliveira da direita.

publicado por erario às 14:28

 

A sensação é a de que manda no país é o ministro das finanças. Com este filme não tive nenhuma ideia preconcebida, o grande projecto era tomar o pulso das coisas, um bocado como os cineastas alemães fizeram nos anos 20, o Pabst, o Marnau, o Lang... São cineastas que filmaram não para dizer coisas. Eles filmaram a Alemanha que estava à frente da câmara e a Alemanha que estava à frente da câmara era aquela.


O grande problema em Portugal foi a maneira brutal e complicada como se geriu o partido comunista: essa foi verdadeiramente a grande questão, a necessidade do partido socialista neutralizar o PCP fez com que a esquerda não conseguisse criar uma verdadeira cultura de esquerda. Vivi esse momento, o PS foi durante muito tempo um partido de direita, assumiu a direita e isso mudou completamente a história deste país, de 75 para 76. Pode ter sido historicamente necessário na altura, não sei. Mas a seguir vieram as facturas e os compromissos. Portugal foi a última grande revolução europeia. Foi brutal, eu vivi isso, um país que andava mais depressa que as pessoas.


Há uma lógica de personagens marcados pelo sacrifício, pelo cordeiro místico, desde o meu primeiro filme, Maria, também no Processo do Rei, Olhos da Ásia, Longe da Vista, e agora o Duas Mulheres... São filmes sobre o sacrifício. E isso tem um bocado a ver com o facto de eu achar que houve um país que não se cumpriu. O país que eu vivi na adolescência não se cumpriu.

 

O filme debruça-se numa família burguesa em plena crise financeira. A ideia dominante de um Paulo Portas "não dês de comer a um pobre, dá-lhe uma cana e ensina-o a pescar" está omnipresente; os pobres nasceram para o ser e até cheiram mal; o administrador da empresa está sob alto stress porque se calhar vai ter de despedir os empregados mais antigos da firma, e a sua mulher está transtornada com o stress que o marido sofre. Um retrato muito recomendável.

publicado por erario às 00:37
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04
Set 10

 

(Via Agitação)

publicado por erario às 00:51

03
Set 10

"Corporações como Whole Foods e Starbucks continuam a gozar dos favores dos liberais mesmo que ambas as empresas combatam qualquer atividade sindical. O truque é que vendem produtos 'progressistas': café feito com grãos comprados de empresas que praticam 'comércio justo", veículos 'verdes' caríssimos etc. Em resumo, sem que se considere a oposição incluídos e excluídos, facilmente teremos um mundo no qual Bill Gates é homem que faz trabalho humanitário, que combate a pobreza e a doença". Neste artigo New Left Review.

 

A noção de "fair trade" é falaciosa.

 

1 - Partindo da relação empregador-trabalhador (ou "colaborador", como se passou a dizer ultimamente) se a starbucks quer pagar o preço "justo" aos trabalhadores não pode, à partida (ou então não estamos a falar de preço verdadeiramente justo) aproveitar-se do trabalho deles para realizar mais-valia, o que a impossibilitaria de sobreviver numa economia de mercado.

 

2 - Recebendo o salário "justo" e adequado ao país em que reside no terceiro mundo, quantas horas deve trabalhar nesse mesmo país para poder comprar o que produziu numa hora? E para comprar esse produto nos estados unidos?

 

3 - Não sei se a actividade sindical é impossível nos países onde a starbucks vende ou naqueles em que produz, por exemplo o McDonalds não permite nos EUA. Se for em ambos, não é, nos termos mais ditatoriais, a derrota da época de luta de classes, com a vitória suprema (técnica e moral) por parte do Capital? (Digo isto no sentido em que já não é a oferta e a procura que decidem a taxa de exploração, nem tão-pouco a atribuição de um "salário mínimo" por parte do Estado do país que produz o café... E no caso de se argumentar que o preço justo pode dar aos trabalhadores melhores condições que esse salário mínimo daria, essa é a vitória "moral".)

publicado por erario às 17:03

01
Set 10

Aqui.

publicado por erario às 22:31

Dos mesmos autores do artigo anterior.

publicado por erario às 22:20

Este artigo do insurgente levanta a questão clássica da impossibilidade do cálculo numa sociedade socialista. Vale a pena ler este artigo.

publicado por erario às 22:15

09
Ago 10

A Quarta Internacional debate este corolário marxista.

publicado por erario às 11:00

24
Jul 10

O modo radical como Louçã se apresenta nesta entrevista ao órgão de comunicação da IV Internacional contrasta e muito com a sua pose dentro das fronteiras portuguesas. A entrevista, de 2008, que faz na qualidade de coordenador do BE, atesta-o.

 

Por exemplo, em solo nacional, o BE nunca se define deste modo:

We defined ourselves as socialists shortly after our foundation, in a double sense: initially, by rejecting "real socialism" (Stalinism, the experiences of the USSR, Eastern Europe or China), then by identifying ourselves with the anti-capitalist struggle, against the social-democratic experience and its current social-liberal version.

O Daniel Oliveira, por exemplo, não se encaixa minimamente nesta definição, bem pelo contrário, assume-se como "social-democrata". Aliás, das caras conhecidas do BE que me lembro de repente - sobretudo os oriundos dos "movimentos sociais" - apesar da retórica do "social-liberalismo" e do "neoliberalismo" não aspiram a uma sociedade socialista. Aliás, o tom em que está escrita a moção vencedora, que inclui os 16 deputados do parlamento onde se inclui Louçã, não fala sequer de "socialismo". Adiante.

It is true that the anti-war movement developed against US and British imperialism.

Louçã nunca utilizaria a palavra "imperialismo" em Portugal.

It is thus also a success to have paralysed the capacity for unification of the various imperialisms around US super-imperialism.

Quanto mais "super-imperialismo"!

In bourgeois democracy, every mass party will have elected representatives and political polarization can be expressed through electoral gains, even though defeats and retreats are inevitable.

"Democracia burguesa"!

 

On all questions, the only coherent strategy is to break with capitalism.

 

We defend the idea of collective ownership.

Tudo coisas que não passaram para o programa das eleições. Talvez fosse boa ideia para aqueles que pegam por coisas mínimas que Louçã diz na imprensa nacional, espreitarem nos sítios onde Louçã se alarga mais relativamente ao que realmente o BE quer.

publicado por erario às 00:53
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16
Jul 10

Lendo este post do Miguel Madeira, no Vento Sueste, surgem-me as seguintes dúvidas.

 

Apesar da simpatia que personagens tão diferentes como Chomsky e Zizek nutrem por essa "nova esquerda", nomeadamente pelo facto de juntarem milhares de militantes, privilegiarem a organização horizontal, etc. não estaríamos perante um movimento sem pernas para andar, se conquistasse, de facto, o poder? Isto porque em primeiro lugar os países da "revolução bolivariana" contam com altos níveis de endividamento externo, pelo que, para a revolução triunfar verdadeiramente, estou a partir do princípio que as empresas seriam tomadas pelos trabalhadores. Nesse caso, ou pagam indemnizações aos seus proprietários actuais (para as transformar em cooperativas posteriormente) ou simplesmente as ocupam, o que imediatamente tornará o endividamento externo mais caro (a ameaça comunista, o desrespeito pelos direitos humanos, etc.). Não será esse um factor muito relevante na política desses países?

 

E além de tudo isto, o movimento deixaria de lado a ideia da eficiência da planificação centralizada, tipicamente da "velha esquerda" socialista. Ou este ainda é admissível, num campo mais libertário?

publicado por erario às 02:42

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